Hospital 26 de outubro… patrimônio ameaçado?

No dia 01 de novembro, fomos surpreendidos por uma notícia publicada nos jornais locais que informava que, para arrecadar mais recursos, a Prefeitura Municipal de Ponta Grossa pretende leiloar os imóveis do antigo Hospital 26 de Outubro, que em sua inauguração em 1931, chegou a ser considerado uma das melhores instituições de saúde da América Latina. Aparentemente, essa parece ser uma solução rápida e viável para o problema de caixa da Prefeitura, mas será que é a mais correta?

As edificações do velho 26 de Outubro compõem, junto com as estações ferroviárias, armazém e praça João Pessoa, o centro histórico de Ponta Grossa – e essa nem é a nossa história mais antiga, mas não preservamos nada na região da origem da cidade (Pça Mal Floriano Peixoto) e sobre o tropeirismo. A edificação principal do antigo Hospital, em estilo eclético e com pinturas internas do artista alemão Paulo Wagner, foi tombada pelo Conselho do Patrimônio Cultural e Artístico de Ponta Grossa em 2002, e pela Curadoria do Patrimônio Cultural da Secretaria de Estado do Paraná em 2005.

Numa pesquisa acadêmica que investiga sobre qual a fase histórica da cidade que o pontagrossense mais dá importância, aparece: ferrovia (32%), tropeirismo (24%), parque industrial (18%), cervejaria Antártica (13%), Operário Ferroviário E.C. (11%) e outros.

A sociedade de Ponta Grossa tem uma relação de amor e de orgulho com a ferrovia. A representatividade do que significou a ferrovia para a economia e cultura de Ponta Grossa, bem como as memórias das pessoas (e filhos e netos) ligadas à ferrovia são bastante significativos na nossa cidade. Atualmente há grande expectativa com a reforma e possíveis usos da Estação Saudade e área anexa.

Neste sentido, nós da APPAC (Associação de Preservação do Patrimônio Cultural e Natural), queremos, junto com a sociedade, dialogar com o Poder Público, especialmente os nossos vereadores e Prefeito Municipal, e discutir sobre a venda das edificações do 26 de Outubro.

Esse patrimônio, que foi adquirido pela Prefeitura em 1991- -, é uma joia da nossa cidade e vale – no sentido social e cultural – muito mais do que o seu valor venal. A preservação, manutenção e bom uso do patrimônio cultural é importante para a sociedade local e visitantes. Para os pontagrossenses é a forma de ajudar a conhecer e compreender a nossa história; a sua existência adiciona qualidade de vida para adultos e velhos que lembram das suas vidas com esses patrimônios e é a forma de manter (e mostrar para os turistas) aquilo que só existe aqui em Ponta Grossa, ou seja, o nosso patrimônio cultural.

A discussão mais importante talvez seja o uso desse patrimônio. Como é central e próximo ao terminal de ônibus e do shopping center, esse conjunto de edificações, com amplo espaço livre, têm boas condições de se tornar um belo e eficiente centro de convivência social e cultural. Um lugar, muito representativo para a sociedade local, que poderia combinar atividades culturais (cinema, teatro, música, dança, exposições de arte) com atividades comerciais prazerosas (cafés, restaurantes, bares etc.).

A APPAC se coloca a disposição para participar das discussões sobre tão importante patrimônio com o Poder Público nas eventuais ações de manutenção, restauro e reabilitação. Acreditamos que esse diálogo deva preceder qualquer ação sobre esses (e outros) patrimônios da cidade. Acreditamos também que uma ação nesse lugar poderá trazer benefícios para a sociedade e ainda marcar positivamente a passagem das atuais lideranças políticas da cidade, responsáveis por decisões que afetam não só o presente, mas, também, o passado e o futuro da bela e antiga Ponta Grossa.

 

Associação de Preservação do Patrimônio Cultural e Natural (APPAC)

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